Comida e saúde

A IDÉIA O Projeto Nutrição Infantil para o Povo Xavante foi realizado durante 2005 e 2006 na aldeia Wederã, na Terra Indígena de Pimentel Barbosa, no Mato Grosso. Ele surgiu inspirado nas idéias dos anciões xavantes Cidaneri, Wazaé e Maurício Urawe. O programa foi redimensionado e continou em 2007.

OS COSTUMES O projeto uniu a pesquisa, o atendimento e a educação em saúde. Combinou o levantamento de informações sobre a alimentação tradicional e práticas de saúde com o atendimento médico de todas as crianças com idades entre zero a seis anos. Houve oficinas culinárias com as mulheres para resgatar o preparo de comidas tradicionais e caminhadas para a coleta de frutos do cerrado. A comunidade e a equipe da Nossa Tribo reforçaram a variedade das roças e os quintais da aldeia.

AS MUDANÇAS A alimentação dos xavantes sofreu grandes alterações após o contato com os não-índios, ocorrido há 50 anos. Antes, havia o consumo regular de carne de caça, do milho e feijão xavantes e de frutas do cerrado. A mudança mais evidente foi a troca do milho e feijão xavantes, importantes fontes de proteínas e ferro, pelo arroz branco. Hoje o cereal, introduzido pelos não-indios, é o principal alimento do Povo Xavante. Uma das razões é a facilidade de plantio e colheita. Hoje é comum ver crianças e adultos comerem apenas arroz nas refeições. No dia a dia, a população xavante se alimenta cada vez mais de biscoitos, açúcar sal, refrigerantes, macarrão, farinhas refinadas e salgadinhos.

O IMPACTO A substituição dos alimentos tradicionais pela comida dos não-índios continua. O projeto mostrou o impacto dessa alimentação na saúde. Algumas conseqüências são vistas no crescimento das crianças, por causa da falta de nutrientes, e o aumento de casos de obesidade, de pressão alta e diabete.

OS AVANÇOS Para fortalecer sua alimentação, a comunidade decidiu fazer uma agrofloresta. Os índios escolheram e plantaram onze espécies tradicionais do cerrado: caju, jatobá, pequi, baru, mangaba, abóbora, algodão, cará, amendoim, o feijão e o milho xavantes.

As ações de educação em saúde mostraram como prevenir, reconhecer os sintomas e tratar as doenças que vieram após o contato com os não-índios, como diarréia, gripe e pneumonia, que não são curados com remédios tradicionais.

No final do trabalho, melhorou a saúde da comunidade. Uma das conquistas foi o aprendizado das mães no combate ao bicho do pé, problema que infestava crianças de zero a seis anos e que foi vencido. Recentemente, as mães repetiram o tratamento dado aos bebês em crianças de cinco a doze anos.

Foi realizado pela equipe e pela comunidade, uma cartilha e um vídeo bilíngue xavante/portugues com o resultado do projeto. Estes produtos estão sendo repassados para as outras cinco aldeias da Reserva Xavante de Pimentel Barbosa,MT.

O FUTURO Os xavante da aldeia Wederã sabem que ter saúde não é só ter remédio e médico. É também ter água boa para beber, território preservado para plantar, colher e caçar e ter festas para alegrar.

A comunidade da aldeia Wederã saiu fortalecida desta ação. Quer saber mais sobre a política nacional de saúde, participar do planejamento e fazer o controle social dos investimentos no atendimento à saúde indígena. Querem uma política que vá além do atendimento imprescindível às enfermidades, o que ainda precisa de muito investimento e ajustes. Querem uma política que promova a saúde e o bem-estar.

PRÊMIO O vídeo "Nutrição Infantil para o Povo Xavante" foi selecionado para o 8º Festival de Cinema e Vídeo de Gramado 2007, concorrendo na categoria Vídeos Sociais.

* Equipe e parceiros do Projeto Nutrição Infantil para o Povo Xavante
Capa da cartílha, resultado do projeto.
Fotos do Projeto
Video.